Omraam Mikhaël Aïvanhov

“Toda a criação – as montanhas, as árvores, os mares, a terra inteira, mas também os sóis, as estrelas… – não é outra coisa senão música. Certos poetas, certos filósofos como Pitágoras e Platão, chamaram a essa sinfonia de todo o universo ‘a harmonia das esferas’. Tudo o que existe emite sons, mas, evidentemente, não são sons no sentido em que geralmente compreendemos a palavra “sons”. A harmonia das esferas é a sínteses de todas as linguagens de que a criação se serve para se manifestar.

Na natureza, nós distinguimos não só sons, mas também cores, movimentos, perfumes, formas, pois os nossos órgãos dos sentidos dão-nos uma perceção diferenciada das coisas. Mas, para além dos cinco sentidos físicos, nós possuímos outros órgãos que são capazes de fazer a síntese de todas essas perceções, e em certos momentos excecionais é possível apreender a criação simultaneamente como sons, cores, formas, movimentos, perfumes. Esta harmonia das esferas não diz respeito unicamente à sensibilidade. É também uma palavra de sabedoria que indica a direção a seguir, que inscreve a lei divina na alma daquele que teve o privilégio de a ouvir ao menos uma vez.”

 
“Os cânticos místicos que nós cantamos com a consciência do seu poder e o desejo de nos harmonizarmos com a ordem cósmica atraem os anjos. Eles aproximam-se e dizem: «Eis um lugar para nós.» Começam a instalar-se nas regiões superiores do nosso cérebro, para onde trazem também os seus instrumentos, os seus violinos, as suas harpas… e misturam-se com as nossas vozes.

Então, quando sentem a presença desses visitantes reais, as entidades obscuras que andavam por aí compreendem que já não há lugar para elas e afastam-se.

Eu recordo-me da época em que, nas cidades e vilas da Bulgária, ainda havia músicos e cantores de rua. Quem passavam dava-lhes algum dinheiro; e, por vezes, também se abria uma janela na qual se via aparecer o rosto de uma jovem bela, que atirava umas moedas e sorria. É uma imagem daquilo que se passa no mundo espiritual. Nós cantamos debaixo das janelas dos

palácios celestes e os anjos atiram-nos ‘moedas’, que são alegrias, luzes.”

 
“Quando nós cantamos, fisiologicamente, desde a garganta até ao diafragma, há algo poderoso que se põe em movimento e a voz jorra. É por isso que cantar liberta tensões e pesos interiores. O que é que se sabe acerca dos anjos? Eles são representados como criaturas aladas cantando. Tal como as aves: o anjo e a ave estão associados à ideia de leveza, de voo e de canto. Por isso, nós devemos cantar para nos libertarmos de tudo o que nos pesa.

Os humanos poderiam curar-se de muitas perturbações mentais por intermédio do canto, pois as suas vibrações desagregam as presenças obscuras que procurar aferrar-se a eles. O canto é a expressão da vida, a vida em si mesma é precisamente um canto. E o que há de mais necessário, de mais vivificador, do que conseguirmos desembaraçar-nos da atmosfera pesada que nos rodeia para entrarmos nas regiões onde tudo é harmonioso, luminoso, leve?”

 
“A música não é unicamente uma misturada de sonoridades produzidas por instrumentos. A música existe no homem como uma harmonia entre os seus pensamentos, os seus sentimentos e os seus atos. Toda a harmonia entre pensamentos, sentimentos e atos é música. O ideal do discípulo é realizar esta harmonia em si mesmo para depois poder entrar em harmonia com todos os seres da terra e do Universo inteiro.

Na nossa Fraternidade, a harmonia é a base do trabalho coletivo que fazemos, primeiro a harmonia interior, e depois a harmonia com tudo o que existe. É por isso que nós temos um grande repertório de cânticos místicos. Estes cânticos são chaves mágicas: eles abrem-nos o mundo da harmonia.”

 
“As criaturas angélicas apreciam a harmonia, são atraídas pela música e pelo canto. É uma crença que tem a sua origem em tempos muito antigos. Por mais atrás que se remonte na história dos homens, a música e o canto acompanharam as cerimónias sagradas. As entidades celestes gostam da música, elas mesmas são música, por isso tantos pintores representaram o Paraíso povoado de anjos que cantam e tocam toda a espécie de instrumentos.

Quer provenham dos instrumentos ou das vozes, os sons têm um poder imenso, não só porque podem ser agradáveis ao ouvido, mas também pelo poder das vibrações que produzem. Nós devemos, pois, tomar consciência dos poderes da música e aprender a utilizar essas vibrações que, amplificadas pelas sensações de quem a toca ou a escuta, criam uma atmosfera favorável à visita das entidades luminosas.”

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