Omraam Mikhaël Aïvanhov

“Por vezes, sem saberdes porquê, vós sentis subitamente uma alegria ou um desgosto. Há várias explicações possíveis para isso, mas vou dar-vos uma em que certamente não pensastes. Por certo já vos aconteceu passar na rua por alguém cujo rosto atraiu o vosso olhar e a quem enviastes espontaneamente um pensamento, um raio de amor… Essa pessoa nem sequer se apercebeu de que olhastes para ela, mas recebeu aquilo que lhe enviastes de bom através dos vossos olhos e beneficiou dos seus efeitos. Quando sentis subitamente uma alegria, talvez tenha sido uma entidade do mundo invisível que, ao passar, vos dirigiu o seu olhar projetando o seu amor sobre vós, e o vosso coração foi tocado. Onde quer que nós estejamos, estamos sempre rodeados por uma multidão de seres visíveis e invisíveis e recebemos ora coisas boas, ora coisas más, o que explica muitos dos nossos diferentes estados.

O Sol, que nos olha todos os dias, também nos envia ondas vivificadoras. E como ele é uma imagem de Deus, o nosso Sol espiritual, devemos tornar-nos conscientes de que, através do Sol, é Deus que olha para nós. Amar Deus é apresentar-se todos os dias diante d’Ele para receber o seu olhar.”

 
“O que é a sabedoria? É ouro, ouro que vem do Sol. Sim, a sabedoria, o ouro espiritual, vem do Sol. Com esse ouro, vós podeis comprar tudo no mundo da alma e do espírito, exatamente como podeis comprar na terra tudo o que desejais com o ouro material. Quando vos apresentais nos armazéns do alto, perguntam-vos: «Tem ouro?». Se a vossa resposta for “sim”, encherão os vossos sacos com provisões.

De manhã, ao nascer do Sol, nós recolhemos ouro, palhetas de ouro graças às quais podemos comprar tudo no Céu: o amor, a alegria, a dilatação, a plenitude… Muitos ainda não compreenderam a importância de ir de ver o Sol nascer! Eles talvez tenham dinheiro nos seus cofres, e isso está muito bem, mas, se não compreenderem o valor do ouro espiritual, interiormente entrarão em falência, mais cedo ou mais tarde.”

 
“Todos os dias o sol se ergue, vibrante, para enviar pelo espaço tesouros de luz, de calor e de vida. Mas, mesmo entre vós, alguns permanecem insensíveis ao olhá-lo, como se houvesse uma cortina entre o sol e eles.

E é verdade que há uma cortina, por causa do modo como eles viveram na véspera… ou nos dias anteriores. Eles não tinham idéia de que os seus atos, os seus pensamentos e os seus sentimentos influenciariam o seu estado de consciência no momento em que estariam diante do sol.

Não se vigiaram e é por isso que ficam inertes e sem sentir nada diante do sol. Se chegardes todos os dias para o nascer do sol depois de vos terdes preparado interiormente, compreendereis que ele é um mundo deslumbrante, onde habitam as entidades mais evoluídas, e que, graças a ele, podeis encontrar solução para todos os vossos problemas.

Sim, porque o sol pode fazer mais, além de vos dar o seu calor e a sua luz: pode abrir a vossa inteligência e o vosso coração.”

 
“O sol é a fonte do amor universal: ele deposita as suas partículas de vida em toda a Natureza e são essas partículas que nós depois recebemos por intermédio das pedras, das plantas, dos animais e até dos humanos.

Sim, os homens e as mulheres também possuem algumas partículas do sol, mas, evidentemente, muito poucas, porque não se esforçam por atraí-las; é por isso que eles não podem proporcionar uns aos outros a plenitude.

O verdadeiro amor existe em abundância no sol e é lá que se deve procurá-lo. Enquanto vós não beberdes na nascente, só encontrareis algumas gotinhas de orvalho aqui e ali sobre algumas flores, e isso é pouco.

Há, certamente, algumas partes do corpo do homem e da mulher onde o amor se deposita um pouco, mas, se o procurardes apenas aí, estareis sempre com fome e sede. E é isso que acontece à maior parte daqueles que se amam: não se sentem preenchidos, falta-lhes sempre qualquer coisa.

É preciso que eles vão à nascente procurar esse amor imenso que inunda toda a Criação. Depois, eles que amem um homem ou uma mulher, se quiserem! Mas, para encontrarem a plenitude, é na nascente que primeiro devem saciar-se.”

 
“Para além do que vemos dele, o nosso corpo físico está como que provido de antenas etéricas, graças às quais comunica com toda a Natureza: ele emite e recebe ondas. Sabe-se, desde a mais alta Antiguidade, que um corpo nu está dotado de poderes mágicos que perde quando é vestido. Assim, os homens e as mulheres que sabem como se expor nus às influências da terra, do ar, da água, do sol, podem fazê-las servir o seu trabalho espiritual, que elas apoiam e reforçam.

Mas o que também é preciso saber é que essas antenas de que o corpo físico está provido atraem indiferentemente as correntes boas e as más. Por isso, se vos expuserdes nus, ou quase, como acontece nas praias, no Verão, estais atentos. Só podeis fazer isso sem perigo se souberdes fechar-vos a todas as correntes negativas, tenebrosas, e vos abrirdes somente às correntes luminosas e divinas. E, também neste caso, é por um trabalho do pensamento que conseguireis proteger-vos.”

 
“Quer tenhais consciência disso, quer não, tudo o que vos rodeia vos influencia. Mas o importante é tornardes-vos conscientes disso para fazerdes um trabalho benéfico sobre vós mesmos. Quando sentirdes que uma criatura, um objeto, um fenomeno da Natureza, tem uma influência favorável sobre vós, esforçai-vos por abrir conscientemente as vossas portas interiores a fim de que essas influências penetrem profundamente em vós. Se não vos abrirdes, mesmo as melhores coisas serão ineficazes, não agirão sobre vós.

Ide junto de uma nascente, de uma fonte que jorra, e imaginai que é em vós que essa nascente jorra e corre… Ide ver o sol nascer, contemplai-o, abri-vos a ele para que ele desperte em vós o sol espiritual, o seu calor, a sua luz… Ide junto das flores para lhes pedir que vos ensinem o segredo das suas cores, dos seus perfumes, e escutai-as, para aprenderdes a extrair, vós também, as quinta-essências mais perfumadas do vosso coração e da vossa alma…”

 
“Geralmente, crê-se que só o homem adulto é verdadeiramente inteligente. É certo que nele a inteligência é particularmente evidente, mas, na realidade, já existe inteligência nos recém-nascidos e até nos animais, embora de uma maneira que continua a ser misteriosa para a ciência. Sob formas muito diferentes, a inteligência existe em todo o Universo. A terra é inteligente e o sol também, ele é mesmo o mais inteligente…

Sim, porque ele é o mais vivo. Vos direis: «Mais vivo do que nós?»… De certo modo, sim, mais vivo do que nós. Evidentemente, se fordes dizer a quem vos rodeia que o sol é a mais inteligente das criaturas, gozarão convosco. Mas eis a prova: uma vez que é ele que vivifica os humanos, é mais vivo do que eles. Se não existisse o sol a distribuir o seu calor e a sua luz, não haveria na terra vida alguma, nem inteligência, nem amor.”

 
“Nós só conhecemos o ouro no estado sólido. Mas, na realidade, esse metal que se vai procurar nas entranhas da terra existe primeiro no estado ígneo, e é a ele que Hermes Trismegisto se refere quando diz: «O sol é o seu pai, a lua é a sua mãe, o vento transportou-o ao seu ventre e a terra é a sua ama-de-leite.» Sim, o pai do ouro é o sol, é ele que o produz, cada um dos seus raios é ouro; e a lua é o reflexo desse ouro. Através do ar, os raios solares vêm até à terra, na qual penetram, e é aí que eles se condensam. Portanto, o sol produz o ouro no estado etérico e a terra condensa-o. No sol, o ouro é muito volátil, a sua condensação só pode ocorrer nas entranhas da terra, onde se encontram certos materiais capazes de o fixar.

E vós, na primavera, quando olhais para o sol nascente, pensai que sois uma espécie de terra na qual o ouro dos seus raios pode vir depositar-se e fixar-se.”

 
“Vós sentis-vos fracos, sem desejar o que quer que seja… Não fiqueis sem fazer nada. Pensai que, a qualquer altura, podeis ir captar energias no reservatório cósmico. Mas, evidentemente, o momento mais favorável é a manhã, ao nascer do Sol. Quando estais a olhar para o Sol, concentrai-vos em todas as células do vosso corpo até elas vibrarem em uníssono com o espírito solar. Pouco a pouco, sentireis que nessas condições vos será dada a energia mas também o verdadeiro saber, um saber que vos manterá sempre vivos. Quando tiverdes começado a transmitir esta vibração poderosa às vossas células, não vos deixeis mais ir atrás da estagnação, esforçai-vos por manter o movimento.”

 
“As cores são o resultado da decomposição da luz por um prisma. Por isso, se quereis ter uma ideia do que são as verdadeiras cores, pegai num prisma e orientai-o segundo a posição do Sol. As cores agem sobre o cérebro e, por intermédio do cérebro, sobre todo o corpo. Então, podeis escolher uma cor e concentrar-vos nela.

Procurai visualizá-la, depois imaginai que mergulhais nela, que sois atravessados por ela… Do vermelho ao violeta e do violeta ao vermelho, pode-se agir sobre todos os centros, sobre todas as partes do corpo, e, por isso, não há um só órgão que não seja tocado pelos sete raios.

Se ganhardes o hábito de vos concentrar sobre as cores mais puras e de vos impregnar com elas, um dia sentireis que entrais na harmonia cósmica, que contactais com as hierarquias celestes, e cada uma dar-vos-á as suas virtudes. Os exercícios com as cores e as virtudes que lhes correspondem são uma chave da vida espiritual.”

 
“Tudo o que nos rodeia fala-nos da presença de Deus. Mas, para muitas pessoas, isso não basta: queriam que Ele viesse em pessoa apresentar-se a elas! E, mesmo assim, não é garantido que isso fosse suficiente. Reparai: o que há de mais presente, de mais visível, de mais brilhante do que o Sol? Só que, se se ficar fechado por detrás de janelas com as persianas fechadas, nem sequer se saberá que ele existe. Quem quiser vê-lo deve abrir pelo menos a persiana de uma janela, pois o Sol não procurará impor-se atravessando as paredes e as persianas.

Do mesmo modo, para descobrirmos a presença de Deus devemos abrir em nós pelo menos uma pequena claraboia. Sim, nós é que temos de fazer alguma coisa, não é Deus. Deus já faz o que deve fazer: Ele está presente e isso é suficiente. É a nós que cabe procurar atingir o grau de consciência superior que nos revelará a sua presença.”

 
“Olhai o Sol, meditai sobre o Sol, tomando consciência de que há milhões de anos que ele ilumina e aquece a Terra e as criaturas que a povoam. E ele fá-lo sem se preocupar em saber quem se regozija com os seus raios e os recebe com reconhecimento e quem continua a dormir nas caves. Ele não fica ofendido nem furioso pelo facto de os humanos nem sequer terem tomado consciência de que lhe devem a vida, continua a brilhar dando-lhes as suas bênçãos.

Tal como o Sol, existem seres que enviam a sua luz e o seu amor através do espaço, e também eles não se preocupam em saber se as criaturas beneficiam com isso ou não. Eles sentem-se felizes, cheios, toda a sua alegria consiste em distribuírem as suas riquezas pelo universo inteiro. Eles compreenderam que a maior das alegrias é a que o Sol sente e vive: brilhar, iluminar e aquecer.”

 
“Na História da humanidade não faltam seres excecionais que, pela sua integridade, ou pela sua bondade, ou pela sua coragem, ou pela sua sabedoria, etc., foram modelos para os outros. Mas a perfeição é outra coisa. A perfeição para os humanos supõe o desenvolvimento ideal destes três fatores: o intelecto, o coração e a vontade, o que é muito raro. Há pessoas notavelmente inteligentes e instruídas que não têm uma ponta de amor pelos outros. Ou outras que são cheias de amor, mas que não têm vontade nenhuma. E assim por diante…

A existência mostra-nos continuamente seres que são absolutamente notáveis em certos domínios, mas defeituosos noutros. Por isso, se quereis ter uma imagem da perfeição, deveis virar-vos para o Sol. Pela sua luz, o Sol revela-nos que é omnisciente, o seu calor diz-nos do seu amor inesgotável e a vida que ele traz ao Universo mostra-nos a sua omnipotência.”

 
“Aparentemente, as crianças não têm qualquer poder, são fracas… Pois bem, é justamente por isso que elas são bem-sucedidas naquilo em que os poderosos falham. Elas obtêm sucesso porque são espontâneas, vivas, naturais, e despertam amor. Várias pessoas vêm apresentar um pedido a um ministro: elas apresentam argumentos, explicam, insistem… Em vão, não há nada a fazer. Mas eis que chega o seu filhote, abraça o pai, sorri-lhe, acaricia-o, e obtém tudo o que pede. A criança faz cair as carapaças, as barreiras, e abre os corações. Observai também como age o Sol: ele brilha, envia o seu calor, e aquilo que nem a tempestade nem o granizo, nem o vento, apesar da sua força, conseguiram, ele consegue: os humanos começam a tirar as suas roupas.

A conclusão a tirar destes exemplos é que, se nós formos frios, altivos, violentos, dominadores, as almas que nos rodeiam envolvem-se de carapaças. Nós batemos às portas e ninguém nos responde. Mas se, pelo contrário, nós as aquecermos com os raios do amor, elas deixam cair as suas carapaças e abrem-se para nós. É com o calor que as flores se desenvolvem, não com o frio.”

 
“Aparentemente, o Sol não passa de um globo de fogo graças ao qual nós recebemos a luz e o calor. Mas, na realidade, ele é uma entidade viva na qual habitam criaturas de luz, criaturas de uma evolução muito superior à dos humanos. Pensais que esta ideia de criaturas a habitar no Sol não passa de um produto da imaginação? Então, eu pergunto-vos: «Não há habitantes em vós mesmos?»

Há em vós milhões e milhões de entidades, no vosso cérebro, no vosso coração, nos vossos pulmões, no vosso estômago!… O seu número é incalculável. Dir-me-eis que nunca refletistes nesta questão. Pois bem, é tempo de refletirdes. As células do vosso corpo são todas criaturas vivas, vós transportai-las convosco e, por causa delas, tendes um pomar cheio de frutos, sim, um pomar de pensamentos e de sentimentos. Pois bem, acontece o mesmo no Sol, pois tudo o que existe no universo está construído segundo o mesmo modelo.”

 
“O discípulo aprende a mobilizar os seus pensamentos, os seus desejos e mesmo todas as tendências da sua natureza inferior para a realização de um ideal sublime. Mas aquilo que vós talvez não saibais é que o Sol pode ajudar-vos a realizar este trabalho de unificação, de harmonização. Quando o vedes nascer, pensai que a vossa consciência se aproxima do vosso próprio Sol, o vosso Eu superior, para se fundir com ele. Quando tiverdes conseguido pacificar e unificar todas as forças contrárias que vos puxam cada uma para seu lado e as projetardes numa única direção luminosa, divina, tornar-vos-eis um fogo tão intenso que sereis capazes de irradiar em todas as direções, como o Sol.

Sim, um ser que conseguiu resolver os seus próprios problemas e ser livre pode começar a ocupar-se da humanidade inteira e torna-se como o Sol: vive numa tal liberdade que alarga o campo da sua consciência a todo o género humano, ao qual envia a sua luz e o seu amor transbordantes… Mas, antes de poder irradiar, ele deve aprender a concentrar todas as forças do seu ser para as orientar num só direção.”

 
“Contrariamente ao que muitos imaginam, a sabedoria não é triste nem morosa, porque na sabedoria, na verdadeira sabedoria, também existe amor: o coração e o intelecto trabalham em conjunto. A lâmpada do sábio não projeta unicamente a luz fria do intelecto que raciocina, que põe em relevo e realça as mínimas imperfeições; ela brilha, mas, ao mesmo tempo, espalha o seu calor, o seu amor, e por isso é alegre. Sim, a lâmpada do sábio é plena de alegria. Tal como o Sol.

Objetivamente, o Sol que brilha no céu parece ser apenas uma bola de fogo; mas, então, por que é que as crianças que o desenham põem sempre nele um grande sorriso? Instintivamente, as crianças compreenderam algo muito importante, elas sentem que há alegria na luz do Sol. Tal como existe alegria na luz dançante de uma lamparina.”

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