Omraam Mikhaël Aïvanhov

“Há certas crianças que, desde muito novas, têm necessidade de se afirmar, de se mostrar mais fortes do que as outras. Não se deve necessariamente combater esse instinto, é natural que as crianças se sintam atraídas pela força. Mas os adultos têm uma palavra a dizer sobre esta matéria, mostrando-lhes a diferença que existe entre a verdadeira força e a força aparente. As crianças deixam-se impressionar facilmente pelas palavras arrojadas, pelo “bluff”, pelas ameaças, e é preciso que lhes expliquem que o desejo de ser forte é inteiramente louvável, mas desde que seja bem orientado.

É preciso, pois, ajudar os jovens e até impeli-los a adquirir a verdadeira força, que se encontra na inteligência, no amor, na bondade. A verdadeira pedagogia consiste em orientar, não em reprimir, senão estraga-se as crianças: elas tornar-se-ão cobardes, medrosas, fracas, submeter-se-ão a tudo e a todos, o que será muito pior.”

 
“Um solista que dá um concerto oferece ao público o seu talento, a sua inspiração, o fruto de um longo trabalho. Mas o público não tem qualquer consciência desse trabalho; se ele faz barulho ou não está atento, o músico sente isso e, mesmo que se trate do maior virtuoso do mundo, não pode dar tudo aquilo de que seria capaz, pois as trocas não se fazem corretamente. Mas também pode acontecer que, virando-se para a sala, ele descubra um único olhar maravilhado, deslumbrado. Então, começa a tocar para esse olhar – que ele talvez nem se tenha apercebido se é de um homem ou de uma mulher –, para aquela luz que brilha lá ao fundo, na escuridão, e torna-se genial.

O ser humano tem necessidade de sentir, seja de que maneira for, um eco dos seus atos, das suas palavras. Se não existe reciprocidade, nenhuma troca é possível. Ora, a troca é a lei da vida.”

 
“Tomai hoje mesmo a decisão de vos sentardes nos bancos da Escola Divina. Pegai nos vossos livros e nos vossos cadernos e começai a estudar. Vós direis: «Mas estão ali outras pessoas que me perturbam!» Bem, esforçai-vos por suportá-las e esquecê-las um pouco. Todos vós devereis, um dia, ser sujeitos a exames e, quando passardes por eles, ver-se-á o que aprendestes, o que retivestes e, sobretudo, o que aplicastes. Não serei eu que vos sujeitarei aos exames, mas a vida. E a vida é implacável, não podereis ‘dar-lhe a volta’ contando-lhe histórias sofre fulano e beltrano que vos perturbaram ou vos impediram de realizar todos os vossos bons projetos.

O sábio não se queixa dos defeitos e das fraquezas que observa nos outros. Ele não os critica, não os combate, antes se esforça por suportá-los, por transformar esses defeitos nele mesmo, pois essa transformação produz uma energia que ele depois pode re-enviar sob a forma de luz. É assim que ele trabalha para a vinda do Reino de Deus.”

 
“Não digais que, em todas as pessoas que criticais, não notastes ao menos uma qualidade: um dom artístico, o gosto pela ordem e pela limpeza, a seriedade no trabalho, a fidelidade, etc. Não faltam domínios em que os humanos podem mostrar-se úteis ou agradáveis. Pois bem, concentrais-vos pelo menos numa qualidade em cada um e procurai descobrir como podeis ajudá-lo a desenvolvê-la; será mais proveitoso para ele e também para vós.

A evolução de cada um contribui para a evolução de todos. Quanto mais vós avançais, mais arrastais os outros convosco. O comportamento de cada um tem reflexos no mundo inteiro. E se os defeitos de certas pessoas vos incomodam assim tanto, isso é mais uma razão para vos melhorardes e lhes enviardes bons pensamentos.”

 
“O coração e o intelecto não têm as mesmas exigências, cada um tem de ser alimentado e exercitado de modo diferente. Os artistas em quem o coração, a sensibilidade, estão particularmente desenvolvidos precisam de ser encorajados; eles sofrem com as críticas. Muitos artistas morreram por não terem sido compreendidos. Pensadores e filósofos, pelo contrário, reforçam-se com as críticas, pois o intelecto progride através das oposições e dos obstáculos. É próprio do intelecto encontrar novos argumentos, novas soluções, ele procura ocasiões para se exercitar e a crítica proporciona-lhe essas ocasiões. Os confrontos não lhe metem medo, ele está construído para resistir.

Portanto, aqueles que se exprimem pelo sentimento precisam de ser encorajados, louvados. Mas não feliciteis demasiado aqueles que vivem no mundo do pensamento, pois ireis adormecê-los, eles não avançarão.”

 
“Quando os cristãos caem na maledicência, na animosidade, sabem muito bem que não estão a agir em conformidade com os preceitos evangélicos, o que não os impede de continuar.

O que eles não sabem é que existe uma lei segundo a qual quem critica assim tão insistentemente os outros comunica-lhes as suas próprias forças, dá-lhes armas, e, portanto, sem se aperceber, alimenta os seus inimigos.

Quereis que um inimigo enfraqueça? Dizei bem dele, encontrai pelo menos alguma qualidade nele e falai aos outros nessa qualidade. Então, as entidades do mundo invisível que estão encarregues de restabelecer a justiça apresentam-se diante dele e dizem-lhe: «Quanto tens na tua caixa?… Bom, uma parte será para aquele, além, porque ele disse bem de ti.»

Mas, se o perseguirdes com as vossas críticas, as vossas maledicências, essas entidades apresentar-se-ão diante de vós e sereis obrigados a dar-lhe das vossas energias; portanto, reforçá-lo-eis.”

 
“Uma experiência vivida é sempre mais convincente do que todas as explicações.

Imaginai que é Inverno e que eu entro numa casa para a qual fui convidado. Está tudo fechado e, para economizar no aquecimento, não abrem as janelas. Ora, ao permanecer naquela atmosfera, os habitantes da casa foram ficando ‘anestesiados’, imbecis, já não conseguem pensar nem sentir correctamente. Se eu me puser a explicar que a maneira como eles vivem não é sadia, eles não compreenderão e haverá discussões intermináveis nas quais eu só perderei o meu tempo. Então, convido-os a dar um passeio lá fora, no ar puro… Depois, regressamos a casa. Assim que abrem a porta, são eles que se põem a gritar, perguntando a si mesmos como puderam viver numa tal atmosfera, isto é – porque esta situação é simbólica –, com tais concepções, com uma tal filosofia. Sem que eu diga nada, eles mesmos compreenderam, pois sentiram a diferença. Talvez, ao sair, eles não se tenham apercebido de como é maravilhoso respirar o ar puro, mas, ao regressarem, quando se sentem sufocar, compreendem.”

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